Sobre comer borboletas (final) - Chegada



E os quatro continuaram andando: o menino das borboletas, a Lua, a Demência e o garoto que brilhava. Passaram por planícies, cabanas abandonadas, campos gramados, países sem nome, cidades cinzas e azuis e desceram a serra. Ao pé do morro deram com o nada e ali puseram-se a observar.

A Lua ficou intacta, assustada com o que vira. Como podia ser o nada? O nada não tinha cor, não tinha cheiro, não tinha gosto nem chão. Deitaram os quatro viajantes sobre o "sem-cor" e admiraram o "coisa-alguma".

A Demência insistia em refletir sobre o semblante do menino das borboletas:

- Te conheci, aceitei caminhar contigo. Visitamos castelos, planos e elevados. Mas agora esta pálido, sem vida, toma chá mais do que o normal. Esse vício me assusta. Tenho medo de te perder...

O Guri explicou com o olhar, não era necessário se quer uma palavra. Ele não havia encontrado a borboleta que faltava para continuar vivo, ainda faltava um inseto azul. Havia comido uma amarela e duas brancas e não sabia o que fazer. Andaram por segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, quem sabe séculos ou milênios e mais nenhuma borboleta, mais nenhum remédio para o seu mal.

Todos dormiram sobre o nada. O menino muito branco, a Lua e a Demência. Exceto o guri, estava esperando o exato momento. Com eles ele havia descoberto o que é amigo,  passado pelas máquinas, e, o mais interessante, não havia olhado pra trás. Não queria desgostar ninguém por falta de borboleta, então sumiu rumo ao "lugar-nenhum".

A Lua continuou a iluminar o céu durante todas as noites. Dormia durante o dia, parou de caminhar. Ouvia-se dizer que ela brilhava mais, e, ainda fazia músicas maravilhosas para as nuvens.

A Demência continuou a caminhar... Um rumo incerto, talvez. Não se sabe quanto tempo andou, e, mesmo se soubesse, o tempo seria transitório, só uma ideia. Ela já sabia fazia séculos o que era amigo, então todos os dias conseguiu um novo, uma nova, um velho. Menos o menino das borboletas.

O menino branco que brilhava continuou brilhando. Disseram por aí que ele brilhava tão bem quanto a Lua. Um na terra e outra no céu, durante a noite. Ele caminhou muito bem. Sabia perfeitamente tudo sobre a escolha de caminhos, dedicou horas incansáveis de estudo sobre a psicologia dos garotos e só tomou decisões certas.

Ah! O menino que comia borboletas? Não aprendeu nada sobre comer borboletas. Não se sabe se caminhou, se passou, se sorriu, se dançou. Depois da fuga não aprendeu a voar e nem achou a borboleta branca. Já havia aprendido que borboleta era remédio, uma espécie de pílula para o seu mal eterno. Depois disso só aprendeu que borboletas só têm algumas horas de vida.

Ao som de Até O Fim, nas vozes de Chico e Ney

22 comentários:

Emma disse...

Olha só que bonito que ficou o seu conto, Matheus!

E eu não lembro se disse isso no comentario anterior, mas sempre começo a ler esse conto lembro do Mágico de Oz... hehehe
muito legal!

beijoo

http://manusoaress.blogspot.com/

Gustavo Torres disse...

nossa, gostei muito do final do conto, mito bom mesmo *.* parabens

http://iliketeenworld.blogspot.com/

Anônimo disse...

Mágico! Parabéns!
Não tenho palavras para expressar o que seu conto propôs a mim... Manú, falo de Mágico e Oz, tem razão, mas já eu, me lembrei de Peter Pan Na Terra do Nunca, ao voar “a segunda estrela à direita e então direto, até amanhecer”. rsrs

Parabéns, Matheus!
Um Abraço.

Matheus Salvino disse...

Muito obrigado pessoal. Fico imensamente feliz que meu conto remeteu para vocês obras tão complexas e grandiosas. MAS, um dia chego lá, rs.
Dou parabéns para vocês pela sensibilidade na leitura...
"Tudo está nos olhos de quem lê"

Mari Fagundes disse...

Tive que voltar aos posts anteriores para entender a história, me identifiquei muito com o menino, principalmente no primeiro post em que você fala nos sons antigos e filmes que ele apreciava e que já não eram de sua geração. Amei os textos. Parabéns e muito obrigada pelo comentário no meu blog. =*

Tamires Santos disse...

Uma fantástica viagem pela terra de ninguém que é a imaginação...Consegui imaginar todas as cenas e vendo a lua como uma pessoa...Muito bom o jeito com que você escreve, é surreal, incrível.

Realmente, você tem muito talento.

Beijos, Misunderstood.

Andreza Breda disse...

Tudo é aqui é bastante fantástico. Deixou aqui meus agradecimentos pela visita em meu blog e meus parabéns à você, criador desse blog tão maravilhoso... Que o caminho do sucesso se ilumine ainda mais pra que você possa segui-lo sem deslizes, sem tropeços.

Matheus Salvino disse...

Que bom ver você por aqui Andreza. Agradeço a visita e os votos, muito obrigado.

Felipe Mendes disse...

Puts, vc tem muita criatividade em!!

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http://blogfapfap.blogspot.com/

It'sM disse...

Adorei!
Tudo sobre moda no #ItsMonter: http://itsmonter.blogspot.com/ @itsmonter

Alex Monteiro disse...

Matheus, o seu Selinho já foi postado em meu Blog, espero vc lá para pegá-lo :)

Escritor de Sonhos disse...

Ae cara, obrigado por comentar no meu blog

e parabens pelo o seu ai!!
Uma dica ? da uma quebrada no branco do fundo! melhora a leitura!

Abraços
http://papelescritoemsonhos.blogspot.com/

Matheus Salvino disse...

Obrigado pela sugestão, estou trabalhando ainda no design do blog...
Logo logo coloco a versão definitiva,
abraço!

Matheus Laville disse...

Muito criativo..... nunca vir uma pessoa assim....

Lucas Adonai disse...

Muito bão! gostei ;D

Anônimo disse...

Intrigante, confesso que não queria que tivesse acabado, é tão bom de ler. Quase uma viagem. Como esse teve seu fim espero que não demore muito para você postar outros, muito bom mesmo... Gosto desse ar leve que entro no seu blog, na sua maneira de escrever.

Nero disse...

Li as três partes e ainda estou "digerindo" a história. Extremamente bem escrito, assim que eu clicar ali embaixo em "postar comentário" vou subir a tela e clicar em "seguir blog", porque esse vale a pena.

Do que se trata a história, afinal? Confeso que chá+demência me fez pensar em drogas, e a cena na cidade das máquinas me fez pensar em preconceito. A história é sobre alguém... diferente? Sem encontrar seu lugar no mundo? Sensacional...

Abraço!

http://oblogdonero.blogspot.com/

Lo disse...

Oi Matheus! Tudo bem?
Estou vendo seu blog, de onde sai tanta criatividade? uhauhsa Muito bom!

Sou do arenasaude.blogspot e vi sua dúvida. (obs. procurei uma lugar mais apropriado para responder mas não achei)
Sim, os alimento ZERO são mais recomendados para os diabéticos. Os alimentos diet geralmente possuem uma série de aditivos para suprir a falta do açúcar, enquanto os ZERO apenas tem o açúcar substituído por adoçante. Sendo assim, de qualquer ponto de vista, o ZERO é mais vantajoso.

Tem post fresquinho agora!
Beeeijos!

Anônimo disse...

Esta última parte é um pouco pessimista, mas confesso que gosto disso. Acho que o maior mal que pode existir para quem quer escrever prosa é tentar sempre pintar um mundo cor-de-rosa, como se não existissem as tragédias e desencontros de cada um.

http://123acao.wordpress.com/

Aline disse...

Que lindo!!! Nos fez viajar num mundo de fantasia!

Mada disse...

Gostei muito da postagem e obrigada pela visita no meu blog estou te seguindo

Luís Paz disse...

Aê vou ler desde o início porque me interessou.
Vou lendo e comentando os outros pra entender melhor =D

Hey comenta lá no meu blog por favor *-*
www.luliskd.blogspot.com

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Gentileza realmente ler o post antes de comentar. Obrigado.