Para o moço, sentado ao lado dele:
- Vê essas minhas mãos? Estou morrendo.
O moço para, olha-o com ar de repressão.
- Não me olhe assim. Veja o dia lá fora... Jã não o vejo como antes. Condenei minha alma, meu corpo. Estou nu perante o inverno, e ainda é verão. Morri antes de ter tempo de me barbear, minhas roupas todas não me servem mais, agora visto-me de lençóis encardidos doados por qualquer alma piedosa.
- Ah! Fecha esta janela, a luz me incomoda. Condenei-me às trevas e morri antes de comprar velas. Minha magreza me incomoda. Veja, já sou um defunto! Como é triste ser condenado em vida pelos artifícios da própria morte. Lembro-me até hoje quando meu pai morreu, era menino, sim, ainda sou, ainda estou longe da meia idade. Mas... Meu pai morreu eu era ainda mais jovem, mais disposto. Agora não sei mais o que é acordar um dia e me sentir bem. Respirar aliviado a manhã de verão.
Chora aos soluços.
Silêncio.
- Abraça-me! Tenho medo de morrer só.
O moço o abraça, separa os corpos, acende um cigarro. Só então responde:
- Não temas. Quando o inverno chegar, não sentirás frio. Não verás as misérias do campo que não dá frutos, não rende colheita. Não terás tempo de colher tua própria maldade. Renda-te! A morte é um ideal, e, quando eu estiver apoiado sobre meus suplícios, irei rogar por ti. Não, não chores meu amado.
Abraça-o novamente e poem-se a chorar.
- Quando o inverno chegar eu estarei aqui,olhando para tua face, mesmo que gélida e sem vida, sucumbida pela vida que tu mesmo escolhestes. Eu irei rogar por ti, ainda que morto.
1 comentários:
que lindo =))
to seguindo aqui, segue o meu? *-*
www.foiporquerer.blogspot.com
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Gentileza realmente ler o post antes de comentar. Obrigado.