Decidi aprender. Não me lembro de quando não era estudante. A vaga lembrança que eu ainda tenho corresponde ao uniforme vermelho, sapato, pente, lancheira, mochilinha e beabá. Inclusos macarrão colorido, brocal, barbante, guache e um aventalzinho para não fazer "lambança".
No tempo o uniforme aumentou alguns números, o pente foi esquecido, a lancheira foi pro lixo, a mochila pesa dez vezes mais e o beabá transformou-se no que mais dói: fórmulas complexas e aterrorizantes. Excluídos acessórios coloridinhos, diminutivos. Brocal virou glitter, e, este nunca mais teve utilidade, bem como o avental. Já o barbante...
O barbante não foi como o macarrão... O segundo virou apenas sinônimo de "comida", e, no dia das mães, foi apenas servido como prato. Não é mais presente. Macarrão virou passado. A cordinha serviu pra enrolar, envolver-me em nós.
Colocar a mochila nas costas agora é me prender, assinar um contrato no qual só tenho obrigações. Essas teias que a gente mesmo cria e depois fala mal delas. Pura poesia inútil. Já a poesia... Ah, essa serve para desatar, desprender. Lembrar que infância não tem gosto de balas e afins. Lembrar de tudo.

1 comentários:
Seu texto é muito bem escrito e extremamente realista!
http://lollyoliver.wordpress.com/2011/09/06/890/
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Gentileza realmente ler o post antes de comentar. Obrigado.